Introdução à orçamentação – 08 – Custos Indirectos



Os custos indirectos compreendem as despesas suportadas pela empresa e que não podem ser imputadas directamente a qualquer das suas obras.

Neles se enquadram os gastos com a sede da empresa de construção e outros departamentos da empresa dotados de alguma autonomia, como por exemplo, os departamentos de obras que têm também os seus próprios encargos de escritório e outros.

A criação de departamentos de obra (situação que se verifica pelo menos nas empresas de grande dimensão) justifica-se, muitas vezes, devido à distribuição geográfica das obras que a empresa possui em execução, pretendendo-se conferir uma melhor operacionalidade na realização dessas obras, conseguida através, nomeadamente, da delegação de poderes de decisão.

Os custos indirectos dividem-se em custos industriais e custos de estrutura.

Custos industriais

Custos industriais são os que se encontram directamente associados à produção (industrial) da empresa e compreendem:

  • vencimentos (incluindo encargos) do pessoal técnico (engenheiros, arquitectos, medidores, controladores, planeadores, etc.) quando não imputáveis aos custos do estaleiro (dependendo do critério de empresa);
  • vencimentos (incluindo encargos) do pessoal afecto ao serviço de admissão e gestão do pessoal;
  • custos de patentes e licenças;
  • gastos com o estaleiro central da empresa (carpintaria, serralharia, parque de máquinas, armazém, etc.) quando não imputáveis às obras.

Custos de estrutura

Custos industriais são os restantes, não directamente associados à produção (industrial) da empresa e compreendem:

  • vencimentos (incluindo encargos) do pessoal dirigente e administrativo da empresa;
  • honorários de consultores especializados;
  • Gastos de exploração e conservação da sede social (amortização ou aluguer, água, electricidade, telefone, limpeza, etc.);
  • Amortizações e conservações de mobiliário e equipamento da direcção e serviços centrais;
  • Consumo corrente (material de desenho, impressos, selos, jornais, revistas, etc.);
  • Amortizações e consumos de viaturas ao serviço da direcção e serviços centrais;
  • Seguros (quando não imputáveis aos custos directos ou de estaleiro);
  • Encargos financeiros;
  • Despesas de carácter comercial (contencioso, publicidade, despesas de representação, etc.);
  • Contribuições, impostos e taxas.

Cálculo

É habitual admitir-se uma determinada percentagem sobre a soma de custos directos e de estaleiro. Este valor é obtido estatisticamente calculando, periodicamente, os custos indirectos da empresa (através da contabilidade por centros de custo) e o total dos custos directos e de estaleiro de todas as obras da empresa durante o mesmo período.

Outra hipótese é a divisão do somatório dos custos indirectos pelo volume de facturação da empresa.

Geralmente, verifica-se na prática que a percentagem de custos indirectos de uma empresa em relação ao total de custos directos e de estaleiro de todas as suas obras, não varia muito entre as diversas amostragens.

Valores habituais

Empresas com uma estrutura central ligeira (relativamente ao volume de facturação), terão valores de custos indirectos na ordem dos 7%. Este valor não é susceptível de ser diminuído, pois é sempre necessário manter um mínimo de funções especializadas (na sede da empresa) que permitam a obtenção de empreitadas em concurso.

Empresas com uma estrutura pesada, em vias de afectar a competitividade da empresa, obterão valores de cerca de 12%.