Introdução à orçamentação – 10 – Lucro e imprevistos

A previsão de custos de uma obra é obtida, numa primeira fase, pela adição dos custos directos, de estaleiro e indirectos.

Contudo, quando as empresas se propõem realizar uma determinada obra não pretendem apenas cobrir as despesas, mas também obter o merecido lucro com esse trabalho. Deste modo o orçamento só fica completo quando adicionada, à previsão de custos, a parcela relativa ao lucro.

A sua estimação é objecto de análise cuidada e deverá ter em conta, para além da margem de lucro que se pretende obter na obra, o grau de confiança dos valores orçamentados (maior ou menor rigor no cálculo dos custos) e o interesse da empresa na execução da obra. Este dependerá, por exemplo, da proximidade de outras obras que a empresa esteja a executar na zona onde se situa a obra a concurso.

Outro factor importante é o das obras “em carteira” da empresa. Se o trabalho previsto para os próximos tempos for escasso é natural que a empresa tente ganhar mais obras baixando o lucro, de modo a cobrir custos fixos inerentes à sua manutenção em actividade.

Este factor é extremamente importante e normalmente é atribuído pelos quadros superiores da empresa (gestores, administradores).

Na realidade, num concurso para uma empreitada, uma margem de lucro muito elevada pode originar um orçamento superior ao das outras empresas, enquanto uma margem muito reduzida pode tornar uma obra deficitária, caso surja qualquer imprevisto (é por isso que a “margem de lucro” também se pode designar de “margem de lucro e imprevistos”), ou as despesas não tenham sido calculadas com rigor.