Introdução à orçamentação 5 – Cálculo do custo de equipamentos

24/02/2011Biblioteca - Introdução orçamentação

Introdução

O cálculo do custo hora de um equipamento é razoavelmente complexo e julgo que só valerá a pena o trabalho para equipamentos médios e pesados. Mas cada um saberá de si.

No caso do equipamento ligeiro será mais simples utilizar uma tabela de aluguer de equipamentos e eventualmente retirar 30% aqueles valores no caso de ser um equipamento próprio. É necessário ter algum bom senso.

O cálculo do custo compreende:

  • custos de posse;
  • custos de manobra;
  • custos de conservação, reparação e combustível.

Custos de posse

Os custos de posse Cp incluem:

  • A – custos de amortização
  • J – encargos relativos a juros
  • S – seguros
  • I – impostos
  • RA – recolha ou armazenagem

Para cálculo de amortização de uma máquina é necessário primeiramente definir a sua vida útil Vu ou seja, o período, em anos, passado o qual se prevê a sua substituição por uma máquina nova, em virtude da sua falta de rentabilidade ou aumento de custos de manutenção.

Definido este valor e sendo Va o valor da aquisição da máquina e Vr o seu valor residual estimado para o fim da sua vida útil Vu, mas a preços da data de aquisição, a amortização anual num sistema não inflacionário seria:

A = (Va – Vr) / Vu
Desta forma, no fim da sua vida útil, a máquina teria amortizado a quantia necessária para ser substituída por uma nova.

Contudo, num sistema inflacionário, esta importância não chegaria para efectuar a troca da máquina. Há, pois, que a rectificar a partir do 2º ano, face ao novo valor de aquisição e face ao novo valor residual. Temos assim que no ano n a amortização será:

An = (Va-Vr)/Vu + (Van-Van-1) (Vrn-Vrn-1)
Em que:

  • Van – Valor de aquisição no ano n
  • Van-1 – Valor de aquisição no ano anterior ao ano n
  • Vrn – Valor residual previsto no ano n
  • Vrn-1 – Valor residual previsto no ano anterior ao ano n

Assim, no fim da sua vida útil, está garantida a importância necessária pua proceder à troca do equipamento.

Os encargos com juros são calculados aplicando anualmente ao capital investido no momento (a diferença entre o valor de aquisição inicial e o somatório das amortizações já efectuada nos anos anteriores) a taxa de juro Tj das operações bancárias em vigor.

Assim, os juros a considerar no ano a são:

Jn = Tjn x (Va-A1-A2-A3-…-An-1)
Por este processo os juros vão decrescendo anualmente, pelo que, por simplificação, em alguns métodos prefere-se considerar um juro fixo ao longo da vida útil da máquina, correspondente ao investimento médio.

Quanto aos seguros, impostos e despesas com a recolha do equipamento, a sua determinação é, geralmente, directa. Temos assim os custos de posse Cp do ano n iguais a:

Cpn = An + Jn + Sn + In + RAn
Estes custos são invariáveis ao longo do mo e independentes das nem de trabalho da maquina.


Custos de manobra

Os custos de manobra Cm referentes às despesas com a mão-de-obra de motoristas ou maquinistas desde que afectos ao equipamento e contabilizáveis no seu custo, são determinados pelos respectivos vencimentos, encargos sociais e despesas de deslocação e alojamento


Custos de conservação, reparação e combustível

Os custos de conservação, reparação e combustível Ccre são, em geral, proporcionais às horas efectivas de trabalho.

As despesas com a conservação corrente revisões (óleos, lavagens, pneus, etc.) fazem normalmente parte de indicações de fabricante ou seja facilmente estimáveis.

As despesas de reparação deverão ser obtidas por amostragem estatística a partir de máquinas semelhantes.

Quanto ao consumo de combustível deve ser calculado de acordo com as especificações do fabricante ou comparado com valores observados na prática.


Cálculo do custo total

Verifica-se que podem ocorrer 3 tipos de situações:

  • se máquina esta parada sem manobrar as despesas são apenas os custos de posse: Cp;
  • se máquina está parada com o manobrador à ordem (situação normal em casos de alta especialização do manobrador ou do equipamento), os seus custos são iguais a: Cp + Cm;
  • se a máquina está a trabalhar efectivamente os custos totais são, iguais a: Cp + Cm + Ccrc

Cálculo horário

Se se pretender determinar o custo horário, situação normal em equipamentos pesados e com manobradores afectos (camiões, maquinas de movimentação de terras, etc.), deverá definir-se a perspectiva de utilização da máquina.

Sendo:

  • a: o número de horas úteis anuais teoricamente possíveis;
  • b: o número anual de horas em que o manobrador estará afecto à máquina;
  • c: o número anual de horas de trabalho efectivo;
  • Chp: custo horário de posse = Cp/a
  • Chm: custo horário de manobra
  • Chcrc: custo horário de conservação, reparação e combustível

O custo total CT anual de um equipamento é igual a:

CT = a x Chp + b x Chm + c x Chcrc
Se as despesas da máquina forem debitadas apenas quando executa trabalho efectivo esse custo horário passará a ser:

Ch = (a x Chp + b x Chm + c x Chcrc) / c = (a x Chp) / c + (b x Chm) / c + Chcrc
Se em vez desta situação, se pretender que a máquina seja paga sempre que está à ordem das obras, quer esteja ou não parada mais com manobrador então o seu custo horário deverá ser

Ch = (a x Chp + b x Chm + c x Chcrc) / b = (a x Chp) / b + Chm + (c x Chcrc) / b
Os índices a, b e c devem ter estimados caso a caso, embora seja usual considerar como primeiro valor, e à falta de outro:

c = 0,7 x a b = 0,9 x a

Neste caso, os custos horários passariam a ter as expressões seguintes:

h = Chp / 0,70 + Chm x 0,90 / 0,70 + Chcrc, para trabalho efectivo
Ch = Chp / 0,90 + Chm + Chcrc x 0,70 / 0,90, para máquina à ordem
Naturalmente, este método é aplicável a situações simples em que não se considerem alguns dos tipos de custos inerentes aos equipamentos. Seria, por exemplo, o caso de andaimes ou equipamentos de escoramento em que se considerariam apenas custos de amortização, juros, conservação e reparação.

Nestes casos é usual calcular custos diários em vez de horários, bastando, para tal, substituir nas expressões os custos horários por custos diários.