No momento de elaboração de um orçamento, é necessário que se tenha em atenção todas as condicionantes que se apresentam à realização da obra. Nesse sentido, esta fase divide-se em três etapas.

  • Leitura e interpretação do projeto e especificações técnicas
  • Leitura e interpretação do caderno de encargos
  • Visita ao local da obra

Leitura e interpretação do projeto e especificações técnicas

Antes da elaboração de qualquer orçamento, é imprescindível a análise do projeto, considerando-se como projeto, o mapa de quantidades, as peças desenhadas e as peças escritas.

Não é invulgar aparecerem verdadeiras ratoeiras nas peças escritas. No mapa de quantidades, a descrição descreve um trabalho simples, mas nas peças escritas estão incluídos alguns trabalhos acessórios que encarecem (muito) o artigo. Outra ratoeira habitual é a parte das descrições dos artigos a seguir ao incluindo. Por norma deixamos de ler a partir dessa palavra porque costuma ser palha. Ás vezes, não é.

A par da análise do projeto, está também o estudo das especificações técnicas, isto é, a interpretação das informações qualitativas do projeto, como por exemplo, a descrição do tipo de materiais e padrões de acabamentos a utilizar.

Esta fase permitirá ainda avaliar coeficientes de rendimento para os trabalhos a realizar. De facto, a produtividade (ideal) na realização dos vários trabalhos previstos pode ser afectada por uma série de condições de entre as quais salientamos:

  • diferentes quantidades de trabalhos a realizar podem conduzir a diferentes rendimentos de mão-de-obra
  • as condições locais onde a obra é realizada;
  • o equipamento e processo construtivo a utilizar

A qualidade do projecto médio em Portugal está entre o mau e o sofrível, pelo que deve ser prestada uma enorme atenção ao que está em falta. São os tão mal afamados trabalhos a mais. A maioria das derrapagens financeiras, nada têm a ver com premeditação, apenas com mau projectos.

Leitura e interpretação do caderno de encargos

O caderno de encargos é o nome dado ao documento onde constam as “regras” que a empresa deve cumprir no caso de estar a concorrer a uma obra. Neste documento constam as informações sobre o prazo da obra, critérios de adjudicação, critérios de medição, prazos de pagamento, entre outros.

Nem sempre damos a atenção devida à leitura do caderno de encargos porque a maioria das vezes são cópias de cópias. No entanto, analisando as fórmulas de cálculo dos critérios de adjudicação, podemos descobrir que não vale a pena esmagar preços porque não melhora significativamente a nossa classificação, que a parte técnica é a preponderante ou que nem sequer temos alvará para concorrer. Ou se soubermos ler, que a empreitada já está entregue e que estamos ali a perder tempo.

Visita ao local da obra

O primeiro grande objectivo da visita à obra é a confrontação entre o que está no projecto e o que está no local. Isto porque, entre a elaboração do projecto e a fase do orçamento, pode ter passado muito tempo e as condições do local terem-se alterado.

O segundo grande objectivo é a recolha das informações que não constam no projeto, nomeadamente:

  • terreno (localização geográfica, topografia, tipo)
  • acessos (rodoviários, ferroviários e outros)
  • instalações do estaleiro (local e área disponível)
  • abastecimento de água (rede de distribuição, poços)
  • energia eléctrica (redes existentes, geradores)
  • esgotos (rede pública, fossas)
  • comunicações (telefones, correios)
  • mão-de-obra local
  • alojamento e alimentação de mão-de-obra deslocada
  • encargos com viagens (sede da empresa – obra)
  • fornecedores locais de materiais de construção
  • equipamento disponível para aluguer
  • serviços (câmara municipal, serviços municipalizados, bancos)
  • hospitais, postos de socorro, médicos, farmácias