Introdução

O cálculo do preço unitário de uma actividade é normalmente obtido a partir de fichas de rendimento onde se descriminam os custos dos diversos recursos envolvidos na execução dessa actividade, sendo os recursos agrupados por tipo:

  • Mão de obra
  • Materiais
  • Equipamentos
  • Subempreitadas

Existe um caso particular que são as “subempreitadas” de mão-de-obra, isto é, quando uma actividade é executada por mão-de-obra de uma empresa externa paga à tarefa (ao m2, ao kg, etc). Há quem os classifique como mão-de-obra, há quem os classifique como tarefeiros. Eu considero-os como mão-de-obra.

Esta classificação é extremamanete importante, quer na elaboração dos preços individuais, quer no fecho do orçamento já que permite avaliar o preço que calculámos aplicar coeficientes de risco diferenciados0.

Tipos de recursos

Mão-de-obra

São os custos constituídos pelas despesas com os salários do pessoal envolvido directamente na produção (mão-de-obra produtiva), incluindo os respectivos encargos sociais previstos na lei ou da iniciativa da empresa. Estão igualmente incluídos os custos com o transporte dessa mão-de-obra, o seu alojamento, alimentação quando deslocados, etc.

Materiais

São os custos que incluem não só o custo dos materiais em si mas também o seu transporte até à obra, descarga e armazenamento.

Equipamento

O equipamento é igualmente considerado como custo directo caso seja utilizado directamente na realização dos trabalhos e desde que seja possível avaliar, com algum rigor, a sua comparticipação em cada tarefa específica.

Equipamentos como por exemplo, gruas e andaimes, que contribuem para a realização de inúmeros trabalhos e cujo custo está mais associado à permanência em obra do que à sua produção, não devem ser aqui considerados, sendo considerados nos custos de estaleiro.

Subempreitadas

Custos com a execução total de uma actividade por empresas subcontractadas. Apenas classifico como subempreitadas, o fornecimento e execução integral de uma activadade (caixilharias, redes de águas e esgotos, elevadores, etc).

 

Composição do preço

Mão-de-obra

O rendimento de mão-de-obra é o tempo necessário que um indivíduo ou um equipa tem de dispensar para executar uma unidade de um trabalho.

Os rendimentos de mão-de-obra são o Santo Graal dos orçamentistas. É aqui que está toda a dificuldade do seu  trabalho porque não existem tabelas que possam ser usadas de forma directa. Não existem, nem nunca irão existir devido à multiplicidade de coeficientes (e factores) de correcção dos valores teóricos das tabelas devido às condições particulares de cada obra, da eficiência dos quadros de chefia e dos meios disponíveis.

Existem algumas tabelas publicadas que em condições médias e normais de trabalho, poderão fornecer elementos suficientemente aproximados. Devem no entanto ser analisadas á luz da idade da sua publicação. As mais conhecidas são:

  • “Informações sobre Custos – Fichas de Rendimentos”, do LNEC, da autoria de Costa Manso, Manuel Fonseca e Carvalho Espada,
  • “Rendimentos de Mão-de-obra na Construção de Edifícios”, de José Paz Branco.

Nunca pretendi fazer um trabalho teórico acerca de rendimentos pelo que a minha grande preocupação sempre foi garantir que o valor da mão-de-obra (rendimento x preço unitário MO) fosse idêntico ao que o subempreiteiro cobra por fazer o trabalho. Muitas vezes calculei, e calculo, o rendimento a partir do preço do subempreiteiro de mão-de-obra dividindo pelo preço hora ponderado (oficial 70% + servente 30%)

Materiais

O rendimento ou consumo de materiais, são as quantidades de materiais que serão necessárias para executar uma unidade de um determinado trabalho, sendo normalmente obtidos nas fichas técnicas dos fabricantes.

Infelizmente, nem sempre são de aplicação directa porque são fornecidos numa unidade (ao kg por exemplo) enquanto utilizamos ao m3 ou ao m2, obrigando a conversões onde é muito fácil fazer asneira. Duas situações em particular em que devem ter imenso cuidado:

  • Na conversão entre unidades de peso e unidades de volumes (m3) tem de usar as tabelas de pesos específicos de materiais. E não se enganem no sentido de conversão.
  • As fichas técnicas  dos fabricantes devem ser lidas com atenção porque os rendimentos fornecidos são normalmente por demão (tintas) ou por cm de espessura (argamassas).

Equipamentos

O rendimento de um equipamento, é o tempo de trabalho necessário desse equipamento para se realizar uma unidade de um determinado trabalho. No caso dos equipamentos podem colocar-se duas situações:

  • se o equipamento é alugado ao exterior o seu custo é obtido directamente a partir do preço do fornecedor;
  • se o equipamento pertence à empresa é necessário calcular um custo correspondente a um aluguer interno.

entendo como equipamento todas as máquinas que uma pessoa normal não têm casa (Bobcat, rectro, martelos demolidores, manitous, etc). O resto (berbequins, lixadoras) são ferramentas eléctricas de desgaste rápido (vão e nunca voltam a funcionar) e devem ser considerado nos custos de estaleiro.

Subempreitadas

No caso de trabalhos realizados por subempreiteiros o problema está mais facilitado, pois os preços apresentados são, em geral, relativos às quantidades unitárias das tarefas.

Atenção especial às exclusões nas propostas dos subempreiteiros. Uma boa técnica é ler primeiro as exclusões no fim da proposta e só depois analisar os preços

Ficha de rendimento

As fichas de rendimento podem ser elaboradas em ficheiros de Excel ou em folhas de cálculo próprias dos programas de orçamentação. No caso do programa de orçamentação que uso, o Candy / CCS, são as worksheets.

Os dois exemplos seguintes são a mesma ficha, em Excel e numa worksheet do Candy CCS

Ficha de rendimento em Excel

É uma forma simples e económica para trabalhar e é indicada para quem não tenha orçamentista a tempo inteiro e para orçamentos pequenos. São de difícil manutenção, já que alterar o preço de um recurso obriga a alterar esse recurso em todas as fichas, não permitem trabalhar com recursos compostos sem complexificar os mapas

E o Excel é uma sempre uma receita para o desastre. Sempre que recebo um ficheiro do cliente ou de um subempreiteiro, a primeira coisa que faço é verificar aqueles somatórios e subtotais. A quantidade de erros é arrepiante e já vi perder propostas por erros nos somatários.

Ficha de rendimento em Candy CCS

Os programas de orçamentação são indicados para quem já tenha alguém a tempo inteiro nos orçamentos. Têm uma curva de aprendizagem, mas nas mãos de uma pessoa treinada, são uma máquina de produzir orçamentos com um nível de detalhe impossivel de se conseguir com o Excel.

Constituídos por diversos módulos interligados entre si, como os módulos de orçamentação, controlo de produção, planeamento, medições (a partir de desenhos autocad), gestão de subempreitadas, etc, permitindo a criação de bancos de dados e históricos, relatórios expeditos e confiáveis, fundamentais para a análise crítica de um orçamento

É a diferença entre uma máquina de escrever e um computador.