Introdução

O custo total de um material é o somatório dos seguintes pontos:

  • Preço do material
  • Transporte
  • Descarga e armazenamento
  • Descontos
  • Desperdícios
  • Taxas de importação

Preço do material

Na maioria do casos, o preço é de utilização directa uma vez que a sua unidade compra é igual à unidade do artigo em que estamos a orçamentar. Os azulejos são comprados a m2 e orçamentado a m2, o betão é comprado a m3 e orçamentado a m3.

Infelizmente, nem todos são de utilização directa porque são comprados numa unidade que é diferente da unidade do artigo em que estamos a orçamentar. Os inertes são comprados à tonelada e orçamentamos ao m3, as tintas são compradas ao litro e orçamentamos ao m2. 

Isto obriga a conversões onde é muito fácil fazer asneira. Mesmo muito fácil e não perguntem porquê. Uma das grandes vantagens das fichas de rendimento é precisamente evitarem que estejamos sempre a fazer estas conversões.

  • Quando convertemos unidades de peso para unidades de volumes e vice versa, têm de ser usadas as tabelas de pesos específicos de materiais. E não se enganem no sentido de conversão.
  • As fichas técnicas  dos fabricantes devem ser lidas com atenção porque os rendimentos são fornecidos normalmente por demão (tintas) ou por cm de espessura (argamassas).
  • A conversão de unidades de volumes diferentes do habitual (litros) em unidades de volumes tradicionais (m3) são um clássico nos erros. E com a agravante de que são materiais muito caros (dai a utilização do litro) pelo que os erros são dolorosos (ex são as resinas epoxi para selagens de varãos)
  • Quando temos materias de 2 componentes, o volume que resulta não é a soma dos dois componentes. Ou descobrem qul a massa volúmica resultante ou considerem o volume do maior componente.

Transporte

Nem sempre o custo do transporte está incluido no preço do material e isto têm de ser confirmado para a quantidade que estamos a comprar.

Se repararem na tabela de preços da tijolo da Preceram, os preços variam conforme a distância à fábrica. E os preços indicados ainda podem ser para semi reboques completos. Se apenas precisarem de 2 ou 3 paletes, podem ter a certeza que, ou o preço sobe ou terão de esperar que se consiga fazer uma carga completa.

Outra situação clássica é o betão pronto. Aos preços indicados, acresce sempre o preço da auto-betoneira e da auto-bomba. E se apenas precisarem de quantidades pequenas, ainda acresce uma sobre taxa.

No caso de estarmos a orçamentar para as ilhas ou para África, temos ainda de considerar os custos dos contentores, dos fretes maritimos e dos transportes do porto até à obra.

Descarga e armazenamento

Normalmente os custos da descarga e armazenamento estão nos custos de estaleiro. Mas há uma situação que têm de ser precavida e que é quando os donos de obras compram os materiais.

O que eles querem é ficar com a margem que o empreiteiro têm nos materiais. Mas se só quer pagar a aplicação, quem é que paga o transporte, a carga e descarga desses materiais? E quem é que faz os cálculos das quantidades a comprar?

Quando um dono de obra pedir um orçamento descriminado em mão-de-obra e materiais, já sabem como é que vai acabar e portanto, devem considerar na parte da mão-de-obra, qualquer coisa para pagar estes trabalhos

Descontos

Considerarmos os preços com ou sem desconto, é algo que têm de ser analisado com cuidado, porque não considerar qualquer desconto pode tornar as nossas propostas excessivamente caras, mas considerar os descontos máximos, ficamos sem margem para qualquer quebra ou aumento súbito de preço.

Segundo a teoria dos 20/80, 20% dos artigos num orçamento, representam 80% dos custos pelo que será nesses que temos de nos concentrar para ganhar um orçamento.

Se eu tiver 500m3 de betão para aplicar numa obra, faz todo o sentido considerar desconto (considerar o desconto máximo ou apenas parte do desconto é outra guerra). Mas se apenas tivermos 2 m3 em que é que o desconto vale melhorar a proposta? vale 0,001% no valor da proposta. Não aquece nem arrefece.

Preços de materiais sem descontos

Considera-se os preços da tabela de venda ao público sem descontos

Num orçamento pequeno, faz sentido considerar preços sem desconto porque as quantidades e os valores são tão pequenas que não temos margem para qualquer quebra ou erro. Assim ficasse com uma almofadinha para amortecer desvios inesperados.

Preços de materiais com desconto

Considera-se os preços da tabela de venda ao público com o desconto

É uma política mais agressiva de preços, geralmente em empresas que actuam em mercados com forte concorrencia. O problema é exigir uma gestão de obra mais (muito mais) rigorosa porque não há almofadinhas para nada. Um erro e já foste.

Ainda assim, manda a prudência que não se considere o desconto total. Se sabemos que temos 45% nas tintas, consideramos 35%, nem que seja para fazer face a aumentos entre a execução dos orçamentos e da obra. No minimo dos minimos, guardem 5% para os aumentos anuais

Descontos nos artigos importantes

Outra forma é considerarmos descontos nos artigos importantes, aqueles que têm peso no orçamento.

Sabemos que 20% dos artigos valem 80% dos custos, pelo que faz todo o sentido considerar o preço dos materiais com desconto nesses 20% de forma a termos propostas competitivas.

Já cada artigo dos restantes 80%, vale 0,001% do total da proposta, pelo que considerar descontos não irá alterar significativamente a competitividade da proposta enquanto se esconde uma almofadinha.

Desperdícios

O cálculo dos desperdícios é talvez o ponto mais fraco da maioria dos orçamentos porque a maioria dos orçamentista usa taxas de desperdícios tipo (10% é o número mágico).

Se para quantidades grandes, a utilização destas taxas de desperdício tipo não é grave, em quantidades pequenas o problema pode ser muito complicado. 2 exemplos

Quantidades muito pequenas

A quantidade mínima que conseguimos comprar é 1 caixa, caixa essa que nos azulejos costuma ter cerca de 1,44m2. Se a quantidade que tivermos para orçamentar for muito pequena, por exemplo 0,89m2, temos um desperdício de 1,44/0,89 = 61,79%

Em quantidades muito pequenas, é aconselhável fazer estes cálculos, especialmente se forem materiais caros

 Peças de grande dimensão

Nas peças (azulejos por exemplo) de grande dimensão, os problemas estão nas estereotomias e nas dimensões das peças.

Vamos imaginar que vamos aplicar mosaicos de 60x60cm numa casa de banho com 3,35×2,15 = 7,20m2

  • No lado com 3,35 preciso de 6 peças (3.35/0.60= 5.58) e sobra-me uma tira de 0,60×0,25m que não consigo aproveitar 
  • No lado com 2,15 preciso de 4 peças (2.15/0.60= 3.58) e sobra-me uma tira de 0,60×0,25m que não consigo aproveitar 
  • Total de peças: 6 x 4 = 24un
  • Quantidade mínima para aplicar:  24 x 0,60 x 0,60= 8.64m2
  • Desperdício aplicação = 8,64/7,20 = 19,95%
  • Conteúdo da caixa = 3 peças x 0,60 x 0,60 = 1.08m2
  • 24 peças / 3 peças por caixa = 8 caixas

Se apenas comprar 8 caixas, não há qualquer peça para quebras ou erros na aplicação, pelo que teremos de comprar uma caixa extra.

  • Compra: 9 caixas x 3 peças x 0,60 x 0,60 = 9.72m2
  • Quantidade a orçamentar = 7,20m2
  • Desperdício de aplicação + desperdício de compra = 35%

E quanto maior for a peça, maior é o problema.

Taxas de importação

As taxas de importação apenas se aplicam quando estamos a orçamentar obras com materiais que serão de ser importados doutros paises. 

O risco cambial aplica-se quando estamos a comprar em paises com uma moeda diferente, porque nunca sabemos qual será a taxa de câmbio no momento da compra.