Introdução

Os equipamentos englobam uma enorme variedade de máquinas e ferramentas eléctricas e enquanto nuns casos, o cálculo é complicado até porque exige muita experiência com os custos reais dos consumíveis, noutros casos, os valores em causa não justificam o tempo gasto em cálculos complexos.

É necessário ter algum cuidado com o nível de complexidade que atingimos nestes cálculos. O do equipamento é um caso paradigmático, já que em 99% das vezes, não temos a necessidade de fazer cálculos que envolvam custos de amortização, encargos com juros, seguros, impostos, consumiveis, gasóleos, manutenção, etc etc.

Aqui o bom senso é rei e senhor porque na maioria dos casos, o peso dos equipamentos num orçamento é residual e não temos nenhuma mais valia em alocar horas e horas a cálculos que pouco ou nada alteram a competitividade dos orçamentos.

Os equipamentos podem ser divididos em 3 categorias

  • Equipamento pesado
  • Equipamento ligeiro
  • Ferramentas elétricas

Equipamento pesado

Como equipamento pesado podemos considerar aqueles equipamentos apenas conseguimos transportar num semi reboque e que apenas se justificam em empresas muito grandes ou empresas muito especializadas (sub-empreiteiros normalmente) devido a terem uma utilização intensiva.  São equipamento que uma empresa de construção civil média ou pequena, aluga ou recorre a subempreiteiros.

  • Centrais de betão
  • Giratória de rastos
  • Rectro escavadoras
  • Cilindro compactadores
  • Gruas móveis
  • Pás carregadoras
  • Plataformas elevatórias
  • Geradores
  • Compressores
  • Gruas torre
  • Bulldozers
  • Multifuncções (manitous)

Para a maioria das empresas que nunca possuirão estes equipamentos, não faz qualquer sentido gastar tempo nestes cálculos. Os preços destes equipamentos serão obtidos junto das empresas de aluguer de equipamentos.

Dependendo das condições de aluguer, terão de adicionar ao valor dia/semana/mês, os custos com energia (electricidade, gasóleo ou gasolina) e os custos com o manobrador da máquina.

Cálculo equipamento pesado

Podemos dividir o custo nas seguintes categorias:

  • custo da amortização;
  • custo de utilização / disponibilidade;
  • custo do manobrador;
  • custo da manutenção.

Custos de amortização

O custo de amortização Cp são o somatório dos seguintes custos:

  • A – custos de amortização
  • J – encargos relativos a juros
  • S – seguros
  • I – impostos
  • RA – recolha ou armazenagem

 

Para cálculo de amortização de uma máquina é necessário primeiramente definir a sua vida útil Vu ou seja, o período, em anos, passado o qual se prevê a sua substituição por uma máquina nova, em virtude da sua falta de rentabilidade ou aumento de custos de manutenção.

Definido este valor e sendo Va o valor da aquisição da máquina e Vr o seu valor residual estimado para o fim da sua vida útil Vu, mas a preços da data de aquisição, a amortização anual num sistema não inflacionário seria:

 A = (Valor Aquisição – Valor Residual) / Vida Útil

Desta forma, no fim da sua vida útil, a máquina teria amortizado a quantia necessária para ser substituída por uma nova.

Contudo, num sistema inflacionário, esta importância não chegaria para efectuar a troca da máquina. Há, pois, que a rectificar a partir do 2º ano, face ao novo valor de aquisição e face ao novo valor residual. Temos assim que no ano n a amortização será:

An = (Va-Vr)/Vu + (Van-Van-1) (Vrn-Vrn-1)

Em que:

  • Van – Valor de aquisição no ano n
  • Van-1 – Valor de aquisição no ano anterior ao ano n
  • Vrn – Valor residual previsto no ano n
  • Vrn-1 – Valor residual previsto no ano anterior ao ano n

Assim, no fim da sua vida útil, está garantida a importância necessária pua proceder à troca do equipamento.

Encargos relativos a juros

Os encargos com juros são calculados aplicando anualmente ao capital investido no momento (a diferença entre o valor de aquisição inicial e o somatório das amortizações já efectuada nos anos anteriores) a taxa de juro Tj das operações bancárias em vigor.

Assim, os juros a considerar no ano a são:

 Jn = Tjn x (Va-A1-A2-A3-…-An-1)

 

Por este processo os juros vão decrescendo anualmente, pelo que, por simplificação, em alguns métodos prefere-se considerar um juro fixo ao longo da vida útil da máquina, correspondente ao investimento médio.

Seguros e recolha ou armazenagem

Quanto aos seguros, impostos e despesas com a recolha do equipamento, a sua determinação é, geralmente, directa. Temos assim os custos de posse Cp do ano n iguais a:

 Cpn = An + Jn + Sn + In + RAn

Estes custos são invariáveis ao longo do mo e independentes das nem de trabalho da maquina.

Custos de manobra

Os custos de manobra Cm referentes às despesas com a mão-de-obra de motoristas ou maquinistas desde que afectos ao equipamento e contabilizáveis no seu custo, são determinados pelos respectivos vencimentos, encargos sociais e despesas de deslocação e alojamento

Custos de conservação, reparação e combustível

Os custos de conservação, reparação e combustível Ccre são, em geral, proporcionais às horas efectivas de trabalho.

As despesas com a conservação corrente revisões (óleos, lavagens, pneus, etc.) fazem normalmente parte de indicações de fabricante ou seja facilmente estimáveis.

As despesas de reparação deverão ser obtidas por amostragem estatística a partir de máquinas semelhantes.

Quanto ao consumo de combustível deve ser calculado de acordo com as especificações do fabricante ou comparado com valores observados na prática.

Cálculo do custo total

Verifica-se que podem ocorrer 3 tipos de situações:

  • se máquina esta parada sem manobrar as despesas são apenas os custos de posse: Cp;
  • se máquina está parada com o manobrador à ordem (situação normal em casos de alta especialização do manobrador ou do equipamento), os seus custos são iguais a: Cp + Cm;
  • se a máquina está a trabalhar efectivamente os custos totais são, iguais a: Cp + Cm + Ccrc

Cálculo horário

Se se pretender determinar o custo horário, situação normal em equipamentos pesados e com manobradores afectos (camiões, maquinas de movimentação de terras, etc.), deverá definir-se a perspectiva de utilização da máquina.

Sendo:

  • a: o número de horas úteis anuais teoricamente possíveis;
  • b: o número anual de horas em que o manobrador estará afecto à máquina;
  • c: o número anual de horas de trabalho efectivo;
  • Chp: custo horário de posse = Cp/a
  • Chm: custo horário de manobra
  • Chcrc: custo horário de conservação, reparação e combustível

O custo total CT anual de um equipamento é igual a:

 CT = a x Chp + b x Chm + c x Chcrc

Se as despesas da máquina forem debitadas apenas quando executa trabalho efectivo esse custo horário passará a ser:

 Ch = (a x Chp + b x Chm + c x Chcrc) / c = (a x Chp) / c + (b x Chm) / c + Chcrc

Se em vez desta situação, se pretender que a máquina seja paga sempre que está à ordem das obras, quer esteja ou não parada mais com manobrador então o seu custo horário deverá ser

Ch = (a x Chp + b x Chm + c x Chcrc) / b = (a x Chp) / b + Chm + (c x Chcrc) / b

Os índices a, b e c devem ter estimados caso a caso, embora seja usual considerar como primeiro valor, e à falta de outro:

c = 0,7 x a b = 0,9 x a

Neste caso, os custos horários passariam a ter as expressões seguintes:

Ch = Chp / 0,70 + Chm x 0,90 / 0,70 + Chcrc, para trabalho efectivo

Ch = Chp / 0,90 + Chm + Chcrc x 0,70 / 0,90, para máquina à ordem

Naturalmente, este método é aplicável a situações simples em que não se considerem alguns dos tipos de custos inerentes aos equipamentos. Seria, por exemplo, o caso de andaimes ou equipamentos de escoramento em que se consideraram apenas custos de amortização, juros, conservação e reparação.

Nestes casos é usual calcular custos diários em vez de horários, bastando, para tal, substituir nas expressões os custos horários por custos diários.

Equipamento ligeiro

Como equipamento ligeiro podemos considerar aqueles equipamentos que conseguimos transportar numa carrinha de caixa aberta e cujos valores de aquisição não sendo elevados, justificam a sua aquisição.

  • Mini rectro-escavadoras (Bobcats)
  • Máquinas de lavar pressão
  • Betoneiras elétricas
  • Saltitão
  • Carrinhas de  caixa aberta
  • Vibradores de betão
  • Martelo demolidor
  • Placas compactadoras
  • Geradores portáteis
  • Guinchos eléctricos

Um dia, numa empresa, foi colocada a hipótese de se comprar um rectro em 2ª mão. Uns a favor, outros contra, contas e mais contas para avaliar se valia a pena comprar. Chegou-se a pegar nos mapas de trabalho das obras que estavam em curso e somar o valor dos trabalhos que a máquina podia fazer. Contas muito bem feitas e economicamente não se justificava. Mas alguém puxou do galões e disse que comprava porque sempre queria ter tido uma. 2 meses depois, comprou-se a segunda. Tínhamo-nos esquecido que certas máquinas (rectros, manitou, bobcats, etc) fazem muitos outros trabalhos. 

Se alugarmos estes equipamentos, o preço que consideramos é o preço de aluguer do nosso fornecedor.

Se forem propriedade da empresa, ou calculamos o preço usando as fórmulas de cálculo dos equipamentos pesados, ou usamos os preços de aluguer. Dado o peso residual que estes equipamentos têm no orçamento, é preferível usar os preços de aluguer. É uma pequena almofadinha que pode dar muito jeito.

Independentemente de usarem os preços próprios ou preços de aluguer, terão de adicionar ao valor dia/semana/mês, os custos com energia (electricidade, gasóleo ou gasolina) e do consumíveis (ponteiros, discos, água, etc)

Já os custos com o operador podem ou não ser considerados. porque acontece frequentemente que o operador seja o encarregado. Ora os custos com o encarregado já estão considerados no estaleiro. 

Ferramentas elétricas

Como ferramentas eléctricas podemos considerar aquelas ferramentas que um amante da bricolage têm em casa e que nas obras são material de desgaste rápido. Tão rápido que vão para a obra e raramente voltam.

  • Tornas
  • Berbequins
  • Rebarbadoras
  • Aparafusadoras
  • Lixadeiras
  • Martelos demolidores pequenos

Embora o custo destas ferramentas possa ser calculado da mesma forma que qualquer outro equipamento, a experiencia diz-nos o tempo de vida útil é de meses (poucos) pelo que a fórmula de cálculo é simples. 

Assim para uma ferramenta elétrica com um valor aquisição de 120€ e uma vida útil de 6 meses, teremos um custo mensal de 20€ (120€ / 6 meses).

Nalgumas ferramentas, mais importante que o seu custo, é o custo dos consumiveis. Uma boa broca é cara e um bom disco de corte mais caro é. Conseguimos calcular os consumos destes consumiveis? Na prática, não é possivel pelo que a forma de resolver o problema de forma expedita , é adicionar um coeficente consoante o tipo de máquina (por exemplo, 50% para berbequins e 100% para rebarbadoras)