Definição

O fecho do orçamento é o processo de análise dos custos previstos e a aplicação de uma margem para lucros, processo esse  que se desenrola em diversas fases:

    • Validação dos preços unitários
    • Escolha dos subempreiteiros
    • Optimização dos preços importantes
    • Margens
      • Margem geral
      • Margens por subempreitada
      • Margens individuais
      • Margens de risco por tipo de recurso

Se o objectivo de um orçamento é calcular os custos e as receitas previstas, o trabalho do orçamentista calcular os custos previstos cabendo ao responsável da empresa definir as margens.

Preço de custo da obra = Custos directos + custos estaleiro + custos indirectos
Preço de venda da obra = (Custos directos + custos estaleiro + custos indirectos) * margem de lucro

Validação dos preços unitários

A validação dos preços unitários é a revisão e confirmação por outra pessoa, idealmente um gestor ou alguém ligado à produção.

Para além das óbvias vantagens de ter um segundo par de olhos a olhar para aqueles valores, é sempre uma forma de corrigir aqueles erros que se cometem por cansaço ou devido às constantes interrupções.

Quem nunca começou uma ficha de rendimento com várias actividades, foi interrompido e quando voltou a pegar no orçamento, continuou, convencido de que já a tinha terminado? Ou multiplicar um coeficiente em vez de dividir?

Quem está ligado à produção, têm geralmente uma maior sensibilidade para as variações e tendências do mercado.

Mas a grande vantagem é essa pessoa ficar comprometida com os preços, evitando o choradinho habitual “Não tenho dinheiro para isto, não tenho dinheiro para aquilo”.

Escolha dos subempreiteiros

A escolha dos subempreiteiros cujas propostas vamos considerar no nosso orçamento é de primordial importância porque o peso das subempreitadas no total da proposta é habitualmente muito alto.

Idoneidade da empresa

A primeira questão é se podemos confiar naquela empresa para fazer a obra e por aquele preço. A experiência de quem já trabalhou com eles ou conhece quem trabalhou é fundamental, mas essa informação nem sempre chega aos orçamentistas.

O maior calafrio que apanhei foi um orçamento com 550 tn de estrutura metálica. Uma empresa cujas instalações estavam mesmo em frente à obra, deu um preço bomba (1,90€/kg). Confirmei aquele preço com eles e apesar de algumas reticências, entrámos com o valor, afinal era uma das maiores empresas na região. Ganhámos e eles recusaram-se a fazer a obra. Afinal, tinham-se enganado. (2013, não havia obras para ninguém).

Qualidade da proposta

É necessário olhar para os preços das propostas para perceber se foi uma proposta bem estudada ou se foi uma proposta feita a despachar, aplicando valores m2.

Num orçamento de 80 vivendas, um subempreteiro de armários e roupeiros, respondeu aplicando 225€/m2 a todos os artigos. Obviamente um preço dado pelo dono da empresa e aplicado pelo estagiário de turno. O problema é que existiam uma percentagem anormal de armários muito pequenos.

Comparação de propostas

A comparação de propostas é talvez o mais complicado de fazer em todo o processo de orçamentação. 

Parece simples para quem olha apenas para o valor total das propostas, mas metam as várias propostas num mapa comparativo de propostas e raramente a proposta mais barata têm o valor mais baixo.

Basta uma das empresas ter excluído alguns artigos (porque não faz ou não conseguiu preço atempadamente) e o valor total é baixo porque não está a responder a tudo. Juntem outras exclusões nas outras propostas e é de todo impossível saber qual a melhor proposta sem fazer um mapa comparativo de propostas

Nesse mapa, o valor que é realmente importante é o total comparativo, que é valor considerando só os artigos que foram valorizados por todos os subempreiteiros.

Optimização dos preços importantes

Devido à quantidade de orçamentos que é necessário fazer, é dificil ter tempo para se optimizar propostas (na verdade, até é dificil ter tempo para as fazer).

Uma técnica com óptimos resultados é concentrar-nos nos artigos com mais peso na proposta. Se estivermos a trabalhar em Excel podemos fazer um filtro na coluna dos valores e escolher os artigos mais caros.

O Candy / CCS têm 2 relatórios maravilhosos, o Value Analysis (35) e o Resource Percentage Analysis (41) que nos dão as listagens ordenadas por importância, quer para os artigos, quer para os recursos.

A imagem ao lado faz parte de um relatório de 13 páginas com 780 artigos. No final da primeira página, temos 60 artigos com 60% dos custos, no final da segunda página temos 120 artigos com 74% dos custos e no final da terceira página temos 180 artigos com 82% dos custos. Os restantes 600 artigos valem 18% dos custos.

Querem ganhar obras? Optimizem estes artigos. Não imaginam as obras que ganhei devido a este relatório do Candy / CCS

Margens

As margens de lucro devem ter em conta, para além da margem de lucro que se pretende obter na obra, o grau de confiança dos valores orçamentados (maior ou menor rigor no cálculo dos custos) e o interesse da empresa na execução da obra. Este dependerá, por exemplo, da proximidade de outras obras que a empresa esteja a executar na zona onde se situa a obra a concurso.

Outro factor importante é o das obras “em carteira” da empresa. Se o trabalho previsto para os próximos tempos for escasso é natural que a empresa tente ganhar mais obras baixando o lucro, de modo a cobrir custos fixos inerentes à sua manutenção em actividade.

A decisão das margens é normalmente atribuído aos quadros superiores da empresa (gestores, administradores).

Margem geral

Uma margem geral é uma margem de lucro aplicada a todos os artigos de um orçamento.

Margem por subempreitada

Uma margem por  subempreitada é uma margem de lucro aplicada a todos os artigos de uma subempreitada (electricidades, águas e esgotos, avac, elevadores, caixilharias etc)

Normalmente é uma margem mais baixa que a margem geral, porque sendo sub-empreitadas integrais muito do risco está do lado dos sub-empreiteiros.

Margens individuais

Margens individuais são margens aplicadas a artigos individuais. Podem ser mais altas ou mais baixas do que a margem geral consoante o peso que o artigo tenha na proposta (estaleiro por exemplo) ou consoante o grau de risco que apresenta (Demolições por exemplo)

Margens de risco por tipo de recurso

Margens de risco por tipo de recurso são margens aplicadas por tipo de recursos (mão-de-obra, materiais, equipamentos e sub-empreitadas).

Embora se possa aplicar a qualquer um dos tipos de recursos, é normalmente aplicado à mão-de-obra quando o risco da obra é elevado (demolições) e estamos desconfortáveis ou quando queremos corrigir rapidamente o total da mão-de-obra.

Há gestores muito bons a fechar orçamentos que sabem fazer umas contas de merceeiro e calcular a mão-de-obra com bastante precisão. Se por exemplo, precisam de 4 homens durante 15 dias para fazer a obra e cada homem custa em média 110€, sabem que o total  têm de dar 6600€ (4 x 15 x 110€). Se o total da mão-de-obra se afasta desde valor, aumenta-se ou diminui-se esta margem. Claro que podemos ir corrigir as fichas de rendimento mas isso leva tempo e nem sempre temos esse tempo.